
Não é para ser um post clichê, por mais que o assunto seja, digamos, clichê.
Estava viajando, e vi uma amiga que não encontrava fazia quase meio ano, e durante uma daquelas conversas informativas, onde cada uma tenta resumir ao máximo os acontecimentos importantes do tempo que ficaram afastadas, ela me conta que está ''gostando'' de um menino, que é cheio de qualidades mas um defeito em especial, ela não conseguia superar.
O menino mandou um - Quer ficar comigo?, bem no climax da conversa.
Tá, os tempos são outros, as pessoas além de namorarem e casarem, ficam, mas não há nada que tire mais a graça do que essa pergunta crucial, tenho que concordar com a B.
Até ai tudo bem. A B. apaixonadinha, me falava das qualidades do tal piá, que adoraria estar com ele mas decidiu que não teria nada com o bruto só por causa do ocorrido.
Aí eu perguntei se ela não achava que estava sendo um pouco radical demais, ou esperando alguma atitude vinda de algum lugar não-provavel, se ela realmente iria perder uma chance de alguma coisa dar certo com alguém legal, só por causa daquela pré-decisão de "Não ficar com ninguém que pede pra ficar". Ela insistiu, alegando que não teria como, que perde toda a graça e blá blá blá whiskas sachê (sim gabi, cafa). Sabendo da teimosia dessa minha amiga, deixei o assunto para lá, afinal a escolha é dela e é ela quem vai arcar com as consequências e perder o possível partidão.
Mas quantas vezes esperamos por uma pessoa do tipo A, e um belo dia nos vemos gostando, adorando, amando alguém do tipo B? Falo por mim, muitas. Não só na relação homem-mulher, mas em várias outras situações.
Juramos que nunca vamos comprar nenhuma roupa amarela, nem usar esmalte neon, e fazer dreads? que horror! E um dia desses aparece uma hippona (aumentativo para o feminino de hippie) com uma tanga amarela e umas unhas verde limão que brilham no escuro simplesmente fantásticas, e começamos a cogitar a hipótese de que calça jeans e blusa branca são básicos demais para nós. Ok, exemplo falido.
Idealizamos a pessoa, o comportamento, o jeito de ser perfeito, e nos esquecemos de que cada um é único, com qualidades, defeitos e limitações diferentes, e que às vezes, perdemos uma oportunidade de se divertir e/ou viver novas experiências e/ou amar, por uma convenção idiota que inventamos pra definir nossas escolhas.
Não que tenhamos que sair por ai, beijando todo mundo porque algum deles pode ser legal, mas sim pensar duas vezes antes de rejeitar alguém por motivos questionáveis.
E B., se você estiver lendo isso, saiba que eu sou sua amiga e te amo muito, e por te amar tanto acho que você também deveria dar uma chance para um possível amor!
'' Idealizar é sofrer, amar é surpreender. ''
M.